Património artístico da Câmara Municipal de Sintra

Sala 2 . 1849-1910
|
Do Romantismo, com Sintra como pano de fundo, ao início da República
  |  

 

  Autor
Leal da Câmara
(ver biografia)

Modalidade
Pintura

Técnica

Guache e tinta da china
sobre papel


Dimensões

47,5 cm x 32 cm

Datado

1899

Proveniência

Casa-Museu Leal da Câmara

  As últimas notícias que recebo de Portugal

Representação da Igreja Católica, através de uma figura de grande estatura, que segura na mão esquerda um pequeno "Zé Povinho" de pequena estatura e na direita uma coroa real.

Esta obra é bem reveladora do carácter crítico e acutilante que acompanhou Leal da Câmara ao longo da sua carreira, embora o mesmo se tenha diluído nos últimos anos de vida, por força da calma trazida pela sua dedicação à região saloia da Rinchôa-Mercês. Aquando desta obra, Leal já estava exilado em Madrid, longe da perseguição monárquica portuguesa, instituição que tanto havia criticado. Tal como ao Clero português de então, aqui representado de forma agigantada, face ao Zé Povinho e à própria monarquia, que domina e leva pela mão, como forma de demonstrar o peso da Igreja em Portugal. Esta caricatura é um manifesto de desencanto do artista, até pelo título encontrado, que não vê o seu país tomar o rumo que pretendia, a República. De notar a presença de um (já então ícone) gráfico: o Zé Povinho, criado duas dezenas de anos antes por Rafael Bordalo Pinheiro.
Um ano depois, Leal terá de se refugiar na República Francesa, em Paris, outra vez exilado, agora da monarquia espanhola.

destaque-menu

bio-menu

mc-icon1tritao

Newsletter do Museu